quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A dignidade foi parar no lixo?

Olha, não sou de "dar dicas" pros outros porque não sou referência de nada, segundo a sociedade mas, ousarei agora!


Assistam o documentário Lixo Extraordinário.


Talvez você já tenha visto porque é um trabalho do Vik Muniz, lá de 2010. Mas o que chama a atenção é a proposta atemporal, mesmo se tratando de uma história real.


Lixo Extraordinário não expõe com sensacionalismo a vida sofrida do catador de lixo. O documentário RETRATA a riqueza do pobre e a pobreza do "rico".
Aquela gente humilde do aterro de Gramacho/RJ foi posta em contato com a esfera cultural das artes plásticas, da fotografia e confesso que chorei em ver/sentir tanta alegria pulsando naqueles quadros, naquelas imagens nascidas do lixo, do inutilizável (pra tanta gente).




Depois desta experiência alguns voltaram pro lixão, outros não.


O desprezo da sociedade por esses catadores fez com que pensassem no lixo como o fim, não o começo ou o meio.
Esse classismo aristocrático do brasileiro é o nome mais bonito da síndrome de vira-lata.
Já deu tempo de todo mundo fazer terapia e se livrar do trauma da colonização portuguesa, de parar de achar que comprar um carro pelo dobro do preço real te faz melhor na pirâmide social mesmo sendo burro(a).


Se nós tivéssemos metade da energia boa daqueles catadores, exigiríamos mais de quem nos deve e tiraríamos menos de quem não tem.


Alô polícia!? Polícia pode viiiir! (Coooorre negada de Brasília)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Me engana que eu gosto

                Hoje é dia 4 de dezembro de 2011. Dia em que o Corinthians foi campeão brasileiro e dia em que muitos brasileiros mostraram o quanto não são cidadãos.
                É engraçado você ver tanta gente comemorando o título de um time comandado por pessoas de índoles duvidosas, pra não falar outra coisa.
                A diretoria do Corinthians faz parte de conchavos desonestos que envolvem puramente os interesses financeiros dos dirigentes e de alguns “parceiros”.
                Coisas desse tipo não são mostradas na Rede Globo, por exemplo, pois existe um jogo de interesses velado. Mas se você tiver interesse, pode acessar o blog do Paulinho e ler um pouco sobre isso.
                A construção do estádio do Corinthians é marca mais explícita das inúmeras barbaridades feitas pela diretoria do clube. Essa verba estratosférica de quase 1 bilhão de reais, significa que muito deixará de ser destinado à saúde pública e ao ensino.         
                Alguém vê motivo pra comemorar em ser roubado? Enganado?
                O brasileiro sempre viveu numa educação de cabresto e numa total falta de cidadania.
                Aí fica nessas de comer bosta e achar que tá tudo bem.
                É um negócio de paixão mesmo, de cegueira, esse lance de ser torcedor fanático.
                E hoje também, o dr. Sócrates morreu. Um ícone do Corinthians.
                Não vi homenagens, tampouco resignação pela data. Vi um monte de bêbados gritando pelas ruas.
                Não se trata de despeito são paulino, é algo que vai muito além de 22 homens correndo atrás duma bola e o que eles podem causar em 45 minutos.

domingo, 27 de novembro de 2011

Também é importante que não amemos


Quando a gente sai na noite, vai prum bar, encontramos tudo quanto é tipo de figura. Mas independente do estilo, existe uma constante: as mulheres sempre precisam estar lyndas e phynas enquanto seus namorados, nem sempre cumprem o mínimo requisito de apresentação social.
            O que isso significa?
            Aquele velho machismo continua aí, firme e forte.
            Mesmo com essa independência feminina que tirou a mulher da submissão de séculos e séculos amém, parece que elas ainda precisam utilizar os mesmos artifícios de femme fatale para não ficar sem um homem.
            Antigamente as mulheres eram treinadas para ser ultra femininas, porque esse era o papel dela: agradar o homem e fim. Hoje, elas se esforçam pra simplesmente serem olhadas na multidão de progesterona e estrogênio envolvida na saga “em busca da rara testosterona”.
            Parece-me que no fundo as mulheres estão mudando mais por imposição da vida que, qualquer outra vontade revolucionária. Por exemplo: é possível que as mulheres tenham assumido papeis mais firmes e de liderança em suas famílias ou círculos sociais, porque os homens abriram mão dos próprios papeis.
            Fora o trágico, dos maridos que abandonam famílias, um exemplo clássico é quando um homem sai com uma mulher e não faz a mínima questão de pagar a conta. Ou ele racha ou não paga nada! Tem muito, muito homem assim.
            Os homens estão cada vez mais cafajestes e as mulheres cada vez mais confusas sobre aceitar ou não essa situação.  
            Pra esses momentos tenho comigo uma frase interessantíssima de Fernando Pessoa:


Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos).


Afinal, o que é o ato de amar? 
Uma história que ainda não contaram o fim e por isso muitos não entendem, mas tentam, repetem, buscam, imaginam, esperam?
Polêeeeemicaaaa...


domingo, 20 de novembro de 2011

Quem vai pagar?

                É lindo perceber que os movimentos sociais estão ganhando força no Brasil.
                Antes as pessoas viam os descaminhos do poder público e faziam nada! Salvo aquele episódio dos caras pintadas.
                Recentemente surgiu na internet um vídeo pedindo que as pessoas repensassem sobre a construção de Belo Monte, sobre seus danos ao ecossistema.






                Até agora a mobilização tem sido interessante, volumosa até!
                Dessas questões que provocam questionamento e às vezes indignação, surgiu o terceiro setor. Essa camada engloba ONGs, projetos sócio-educativos, comunitários, envolvendo várias áreas de atuação, em várias camadas sociais, principalmente as mais carentes, porque de fato são as mais atingidas hoje ou futuramente.
                Só que ao mesmo tempo que vemos beleza nessas atitudes tão humanas, não podemos descuidar do mínimo respeito que os políticos nos devem. Afinal, tudo que fazem, fazem graças ao nosso dinheiro.
                Há muito que não acredito em revoluções através da máquina pública. Acredito muito em iniciativa privada. Mas o que me dá medo, é que tudo vire o poder pelo poder, porque hoje em dia, marcas movem o mundo, não só a economia. Marcas transformam culturas inteiras.
                Mas além dessas empresas, existem ainda os “entusiastas autônomos”, que realmente fazem porque gostam.




                Num país de corruptos e folgados, parece interessante pro governo, incentivar empresas a serem mais ativas socialmente através de abatimentos fiscais. O que não é interessante é pensar que pagamos duas vezes para ter meio benefício. Pra onde vai o dinheiro dos nossos impostos?
                A gente tem que aprender a bater palmas com olhos abertos, na mesma medida que político tem que aprender a assoviar e chupar cana.     

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Mano velho

Eu estava pensando sobre a fragilidade da vida. Dos laços que criamos e que se desfazem com o tempo ou qualquer outro motivo aterrador – ou nem tanto.
Tem dois pontos interessantes que vivem atrelados a isso: de um lado os que tão nem aí pro fim das coisas. Do outro, os que sofrem até a última gota de sangue.
Um artigo do Walcyr Carrasco falava sobre os amores descartáveis – mas aqui falo de todas as relações.
Começa fácil e termina fácil. Tem todo aquele lance da cultura do descartável estendida aos sentimentos.
Pela fresta da janela, tem as pessoas que sofrem quando um relacionamento termina.
Aí é extremamente particular, não existe o comportamento da massa, existe a história de vida de cada um.
Tem gente que sofre porque estava acostumado a uma zona de conforto ou por possessividade ou ainda, por cicatrizes da infância ou simplesmente do passado, como a sensação de abandono revivida em carne viva.
Vem da sabedoria esse negócio de aceitar o fim das coisas. Não tem nada a ver com inteligência, amor próprio ou senso de justiça. Vai além. Muito além, onde os olhos não enxergam.
Se pra tudo existe um ciclo que culmina na morte ou na mudança, é relevante pelo menos tentar passar por essas rupturas com paciência. Sempre vi no tempo um mistério fantástico de cura e aprendizado.
Pena que por muitas dores que passei, apenas me preocupava em caminhar por aí entristecida com a vida sem perceber que com o tempo as sementes viravam árvores, que viravam flores, que viravam frutos, que no fim, viravam nada novamente.


Tempo, tempo,
Mano velho,
Falta um tanto ainda,
Eu sei,
Pra você correr macio.

Mas que corre, corre! 


segunda-feira, 24 de outubro de 2011


Nas mãos certas, coisas maravilhosas acontecem.
Ouvi isso num comercial de celular.
Mas parece que o poder está nas mãos das pessoas erradas.
Parece que fomos educados para tolerar a provação e fim.
Essa educação católica é polêmica demais pra simplicidade que um dia de sol exige

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cultura de massa: #SuaFeia

Comprar, comprar, comprar!
Ir até a loja e substituir um produto usado por um novo é muito fácil. Mas o que é feito do produto semi-novo?
Como as condições de pagamento e crédito estão facilitados, os produtos usados perdem valor de forma absurda e viram sucata encostada, doada ou vendida a troco de banana (perto do que foi pago na primeira vez). Isso vale pra todo tipo de bem, até mesmo os mais duráveis, como carros, computadores.
As pessoas estão perdendo muito dinheiro pelo que estão ganhando.
O Brasil tá nos primeiros estágios que já viveu a economia americana. Aquela coisa louca do cliente tirar um carro zero na concessionária e deixar o carro antigo à beira da estrada, doado à sorte de um desafortunado. Esta é aquela fase do consumo desvairado, do descartável sem culpa, só que... nossa renda percapita não sustenta esse padrão cultural e isso significa uma das milhares de coisas que gritam por aí:
- num médio prazo, a maioria dos consumidores associará marcas, produtos e serviços a sentimentos negativos.
Essa percepção de perda de dinheiro pode ser confirmada pelo surgimento dos sites de Consumo Colaborativo. As pessoas veem que é possível conseguir um produto de forma permanente ou simplesmente alugado pagando muito pouco ou nada, apenas fazendo trocas.
O “colaborativo” desse termo também traz um pouco da questão da sustentabilidade e do consumo mais inteligente e menos agressivo, embora eu (por experiência no mercado) acredite que esse hábito será forte daqui uns dois anos. Por enquanto, as pessoas querem apenas poder pagar as suas contas e se divertir um pouco além da cerveja no boteco.
Se eu tivesse uma marca, criaria um posicionamento diferente: instruiria meus clientes a conservar seus produtos, valorizando mais seu dinheiro e levando bem-estar pela aplicação dele em outras áreas da vida, além da mensagem de que a qualidade presente no produto não merece ser descartada.
Parece fácil, mas também não é! É preciso ter um motor afinado, que vai desde a inovadora engenharia de produtos, updates tecnológicos constantes e um marketing de relacionamento fantástico.
Alguém aqui me perguntou: e as metas de venda? Onde ficam?
Eu não pensei nisso ainda, mas vender, qualquer coisa vende, basta ter um bom vendedor e estar nos canais certos. Eu só me preocupei com uma coisa: como tirar da cabeça das pessoas que Luan Santana é música boa. Isso feito, meio caminho andado.
Fui!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ciranda da bailarina

Este é um dos textos mais bonitos e singelos que já li.
Mariana... peguei emprestado. A vantagem é que muita gente além de mim vai te agradecer.

Uma exposição de fotos nesse final de semana me fez relembrar uma lição que recebi do meu pai (mais uma). Na exposição em questão, existia um projeto onde uma pessoa contava algo representativo sobre sua infância. Pensei em várias situações, mas uma em especial que eu sempre carrego, decidi transformar em post.

Quando eu era pequena, fazia ballet clássico. Comecei com um colant rosa e fui me dando bem. Passei para as tão desejadas sapatilhas de ponta, já dava piruetas duplas :) em pouco tempo, minha professora super rigorosa, foi me passando para os estágios superiores, até que eu fui parar num nível super avançado. As meninas eram lindas, magérrimas, alongadíssimas, recebiam aulas dos melhores professores do Teatro Guaíra de Curitiba e executavam com perfeição clássicos de repertório como Dom Quixote, Coppelia, Paquita entre outros. Eu tinha então um empasse, poderia me manter num nível abaixo ou então participar daquelas aulas de 7 horas/dia. Era pra ser um sonho, mas tanta perfeição me fez olhar pra mim, um ser nem lindo e muito menos magérrimo (!) eu nunca fui das mais alongadas e só dava piruetas duplas, enquanto elas ensaiavam fuetes. Tudo isso me fez sentir péssima, diminuída e frustrada.

Em meio a um dos meus regimes, meu pai, provavelmente bem preocupado com a minha integridade física e mental, me fez pensar sobre meus valores. Disse que eu deveria optar por ser a melhor bailarina entre as inferiores ou então a pior entre as melhores. A primeira opção enxeria meu ego e me faria vaidosa, a segunda me faria crescer e evoluir porque eu teria sempre o que aprender.

Continuo sempre tentando optar por ser a pior bailarina :) 

Fonte: www.meiointeiro.blogspot.com

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Dúvida cruel

                
    Se você nasceu na década de oitenta ou antes disso, sabe quanto é bom o gosto da liberdade depois de ouvir tantos “nãos” durante a infância e adolescência - época que os pais tentavam educar os filhos com um pouco de disciplina.
                Se você é mais jovem, nascido na década de noventa, tem a liberdade como algo corriqueiro onde nenhum sentido faz, seguir um movimento contrário a sua vontade, mesmo que seja para um bem comum.
                Esses dois grupos são considerados os mais importantes na luta pela preservação da flora e fauna do planeta. Duas gerações que hoje, tem o poder de dizer sim ou não sobre essas mudanças que precisam acontecer.
                Tudo é muito simples: estamos exaurindo o planeta de todas as formas e isso é incabível diante de muitos aspectos. Muitos se negam a economizar água, mas não se dão conta de que o jeans que vestem vem do algodão, da terra e precisa de litros de água para ser produzido.
                Outros não conseguem entender que não precisamos consumir tanta carne bovina e outras carnes exóticas que beiram o termo silvestre. E que muito menos precisamos vestir a pele de alguns animais para nos fazer melhores.
                Precisamos escolher melhor nossos cosméticos, optar por empresas responsáveis que privam animais de experiências cruéis e que não utilizam os mesmos para extrair substâncias peculiares, tão comuns em perfumes importados.
                Eu sei que talvez você nem esteja vivo pra ver o colapso do planeta e de tudo que nele existe (e coexiste). Mas é preciso saber que qualquer esforço nosso, é muito pouco (mas válido) diante de tudo que a natureza nos oferece e mesmo assim poucos abrem mão das pequenas vaidades. É preciso enxergar os sinais da natureza, os pedidos de respeito às plantas, aos animais, aos recursos renováveis e não renováveis.
                Ouvir sobre esse assunto tão mascado e sem grandes apelos comerciais é chatíssimo. É como querer entusiasmar alguém através do amor que o outro sente.
                Sei lá, pense um pouco sobre isso, mude o foco, o mundo não é você, mas é seu sim ou seu não. Em resumo, você é muito mais importante do que julga ser.


sábado, 2 de julho de 2011

Sem vaidade. Um texto mal escrito.

Essa vida nos oferece coisas e coisas pra nos diferenciar uns dos outros. Partindo das mais básicas, você pode usar um perfume envolvente, uma roupa cheia de estilo, ter um super car ou mais complexo... ser um puta profissional (vale na ordem contrária também).       
E tudo isso funciona viu!? Se você quer ser notado, além do resto da manada.
Tá! Mas aí eu pensei (na minha inconsciência religiosa) que quando morrermos nada disso terá valor, porque essas coisas não existem no ceu pra comprar, nem ONG pra nos doar nos momentos de miséria afetiva. E aí? Como a gente vai se diferenciar lá em cima? Ter privilégios e afins?
Como diz minha mãe: “Aí fudeu!”. No sentido literal, porque o figurado também não existe no céu.
Veja bem, isso não vai contra os princípios do capitalismo ou a favor da efervescência de regimes mais igualitários, se é que isso existe na realidade. É um convite ao exercício do equilíbrio. Isso é tão difícil, mas tão difícil.
Difícil de exercer na vida pessoal e até no trabalho, talvez principalmente no trabalho, porque a publicidade ainda é um lobo mau (é! sou publicitária) que está apenas começando a entrar em crise existencial. Rimou, mas não é música.
Enfim... continua no próximo capítulo. Daqui ou daí ou de lá.

terça-feira, 7 de junho de 2011

A felicidade não é

Meu avô materno faleceu dias atrás. Tinha lá seus 83 anos, foi um fumante frenético e dono de um mau humor nocivo - o que tira o caráter de surpresa sobre a notícia.
Mas é claro que quando alguém próximo morre, a gente se decepciona com a vida, não importa a circunstância.
A vida poderia ter mandado inclusive, ocasião mais alegre para eu reencontrar tantos parentes que nem lembrava que existiam, salvo uma vaga lembrança de cheiro de bolo com chá.
Alguns tios, primas, eu não via desde a minha infância. Enquanto minha mãe se confundia com os nomes, eu me confundia com todo o resto. Aquelas pessoas estavam muito diferentes. A maioria envelhecida, de corpo e mente. Passei por estranha pra boa parte daquela gente que tem o mesmo sangue que o meu.
Foi o momento de eu me decepcionar com a vida pela segunda vez no mesmo dia. Todas aquelas pessoas foram tiradas de mim, das minhas expectativas criadas quando eu era pequenina.
Há anos atrás todas as vidas tomaram rumos diferentes. Cada um foi pra um canto, cuidar da própria história que pra ter emoção, renova os personagens.
Fui conversar sobre isso com um parente lúcido que estava lá e no fim do papo, pedi perdão a Deus, pois eu estava prestes a me decepcionar com a vida novamente e de novo. Aquele cara com quem eu falei por uma hora, mais ou menos, sempre foi um exemplo de vida que tinha acabado de cair por terra.
Trabalhador desde jovem, filho exemplar, inteligente, casado e com filhos queridos, era na verdade, um praticante da velha e nem tão boa bigamia. Fiquei chocada: as pessoas mudam ou encenam? Ele disse que as pessoas nunca mudam. Pronto! Fiquei perplexa, mais que perplexa.
No fim daquele dia triste, previsível e surpreendente, percebi que no fim das contas todos estavam ou ficariam bem – cada um ao seu jeito.
A única coisa que entendi naquilo tudo, é que: nunca é agora, sempre tem o depois, o por vir. Eu decidi que essa não é apenas uma frase da minha amiga Mariana, é uma verdade que nos abraça tão forte, que nos machuca sem querer.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pra salvar seu coração

 A sensação na web é: A banda mais bonita da cidade.
            O clipe da música “Oração” – inusitado – até agora teve quase 2 milhões de acessos em uma semana.
            Quem ainda não viu, pode ver agora:



            Repito: é inusitado, simplesmente porque é fofo, é meigo, é uma canção de amor na mais pura essência.
            Isso me lembra aqueles festivais gloriosos de MPB. Prova disso é que tanta gente boa saiu de lá!
            Assim como quem gosta, há quem não goste. A banda mais bonita da cidade também recebeu muitas críticas pelo Youtube. Li uma tão mal humorada que ficou engraçado, dizia mais ou menos assim: “...é tanta melação, tanta doçura, que um diabético poderia morrer ouvindo essa música...”.
            Eles produziram um clipe despretensioso com uma canção simples, de poucos versos, um mantra, cheio de intenções puramente ligadas ao amor, uma oração a Deus.
            Não é confuso, é simples.
            Aquela reunião de pessoas fala de qual amor?
            O vídeo começa com um rapaz solitário, apaixonado, quase um trovador e se desenrola na imagem do amor fraterno, da união entre amigos.
            O amor é mesmo e somente uma figura de linguagem.
            E tem mais gente que se envereda por este caminho. Artistas como: Thiago Pethit, Vanessa da Mata, Ceu, Tiê, sem esquecer o lendário Teatro Mágico e da saudosa Legião Urbana.
            Seria Woodstock voltando?
            Seria uma revolução contra os movimentos “Restart”, “aê eô”, “chão-chão-chão”?
            Eu gosto disso, gosto daquilo também! Como diz a música do clipe: ...coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na dispensa.
            Sejamos maleáveis queridos, sejamos críticos também. Essa é a única medida racional obrigatória.
            Quem tem convicções demais, tá por fora. Mas poucos são os que sabem usar recitências. No fim das contas, permita-se.
             

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Querido diário...

                Ultimamente tenho me sentido meio perdida no tempo. É muita informação simultânea e olha que nem sou tão velha.
                Culpa desse saudosismo eterno que me faz olhar meio atravessado o presente? Não. Sei reconhecer que o mundo hoje tem suas maravilhas, mas parece que o passado, a infância, sempre nos resgata a algo melhor, mais verdadeiro.
                Parece que hoje as pessoas não tem mais história pra contar, tudo se resume a um suspiro e fim. É vida e morte agora, sem tempo pra mais nada.
                Um pequeno exemplo... o Twitter é o assassino confesso da boa leitura ao invés de ser uma ferramenta complementar, que exercite o poder de síntese também necessária (às vezes).
                Na escola a gente aprendia muito com a literatura, se apaixonava por personagens que viviam romances mais duradouros que uma noite ou tinham existências mesmo que simples, dignas de uma filmagem hollywoodiana. Hoje, quem conta uma grande história em 140 caracteres, é rei.
                Não há mais o lapidar das palavras, o cuidado em tomar merecidamente o tempo de quem te lê.
                Isso também vale para o cuidado ou falta dele, ao falar com quem te ouve. Pensar rápido demais nos faz trocar um “como vai?” por um “vai se fuder”. Dizem...
                Também há pressa demais pra se tornar um profissional exemplar ou basicamente querer ganhar o salário do outro, sem esforço, sem construir a própria história. Queremos ser o mentor sem antes ser aprendiz.
                O brasileiro especificamente já tem um pé nessa de querer pular as mazelas da história pra sair no lucro, graças à famosa lei de Gerson. Saudoso Gerson... que o diabo o tenha.
                É óbvio que comparar a vida adulta com a infância sempre será melhor Alessandra! Claro, mas eu não falo apenas da falta de responsabilidades em ser criança e a chatice em ser adulto, eu falo em como era “muito ótimo” conviver com os mais velhos naquela época, em como era bonito pensar “não vejo a hora de fazer 18 anos” ou então “quando eu crescer, quero ser médica”.
                Me imaginar uma adulta era tão gratificante que, um final de semana com meus avós na fazenda, era o melhor turismo do mundo. Hoje, quem sou eu sem um cruzeiro cheio de putas e viados? Não é preconceito com o mundo atual que me sorri com dentes de chumbo, eu só gostaria de poder ler, ouvir, sentir várias histórias e não me limitar a um estilo. O estilo rapidinho demais, superficial demais, impessoal demais.
                Esse frenesi me reprimi e me sinto em falta com o mundo. É difícil encarar de frente tanta coisa desnecessária (obrigatória) e ter que fazer a politicamente correta.
                Por isso eu ando de saco cheio de tanta gente, de gente que nem é mais gente. De gente que desenha um quadrado e imagina que é redondo, porque desenhar o círculo é mais difícil que se enganar.
                Lógico que eu também quero um pouco de vida fácil, de prazeres e prazeres. Mas eu não quero só isso. Só aceito um amigo interesseiro se ele vier com interesses, interessantes. Mais palavras, mais história, com capítulos de alegrias e tristezas. Depois disso o resto será síntese, quando no alto dos meus 90 anos eu pouco conseguir falar, mas do convívio com meus netos eu não abriria mão e por eles, ah... por eles eu viveria no Twitter sintetizando uma vida, VIVIDA.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Somos todos inadequados

Eu jamais conseguiria escrever um texto por dia, aqui pro blog. Primeiro porque o cunho não é jornalístico e segundo, porque não tenho tempo. Preciso de tempo pra não usar de sinceridade verdadeira demais. Aquela que “pá”! Vem e pronto.
A gente fala que as pessoas usam de pouca sinceridade hoje em dia, mas, eu contesto essa afirmação. Uma afirmação de sinceridade hoje em dia, é a resposta que as pessoas dão ao estresse que sentem. A pressão constante revela a sinceridade genuína, fisiológica do ser humano.
A resposta ao estresse (uma espécie de sujeito oculto) é direcionada a outros sujeitos (não ocultos) que talvez nem façam parte da história. Sabe aquelas coisas de “o marido chega em casa, louco e bate nos filhos”? É quase isso.
Mas se a gente sai dessa esfera sociológica e passa ao campo espiritual, enxergamos tudo de um jeito diferente ou pelo menos essa é a proposta. O não julgar o erro do outro, a grosseria do outro, e perdoar, é um ato em favor de si mesmo, conforme todo mundo já ouviu falar. Isso se dá porque talvez sejamos agentes indiretos ou até super indiretos dentro do incompreensível caos de alguém. Mas se passasse um filme da nossa vida, você poderia perceber que de alguma forma participou de um momento que contribuiu para agravar o estresse dessa pessoa, há uma semana, um mês ou um ano atrás e por isso, hoje você passa pelo mesmo fardo, para compreender a dor do outro. Aí mora o erro em julgar o vizinho, enquanto poderíamos encarar a dor como aprendizado e perdoar a falha alheia. Mas aí os pragmáticos falam: cadê o existencialismo? Quer dizer que eu bato na cara de alguém mas quem leva a culpa é outro?
Não. Não vejo assim. Vejo que, quem não toma a situação difícil como aprendizado, só dá continuidade ao ciclo de sofrimento. É preciso pagar o mal, com o bem. Parece absurdo? Pra alguns sim mas, também faz sentido, não há como negar. É um pensamento até que lógico.
Quem já teve experiências mais próximas com Deus, em se permitir tentar viver essa relação de insistir em amar sinceramente, apesar de tudo, como diria Carpinejar, consegue entender com mais clareza essa paga que o amor fiel pode oferecer.
Eu, Alessandra, só queria pedir uma coisa: não pensem por favor, que este é um texto com bases sob qualquer religião, pois não é. Eu escrevi este texto pois estamos na semana da Páscoa e também, porque na semana passada descobri que alguns perfis do Facebook “não estão pra amizade, é só pra curtir”. Achei a expressão inadequada, como bem me disse um crente fanático que via crianças dançando uma música boba e em seu íntimo rogava uma praga na Ivete Sangalo.
Se eu fosse escrever, passar pra frente tudo que me acontece, muitos “vai tomar no cu” já teriam pesado por aqui e isso, sinceramente, isso sim é inadequado.

Uma provocação aos estressados estúpidos, aos crentes fanáticos e aos que nada tem a ver com isso ou pensam que não tem. 

domingo, 17 de abril de 2011

Cultura não é o que dizem por aí

"Cultura é tudo aquilo de que a gente se lembra após ter esquecido o que leu. Revela-se no modo de falar, de sentar-se, de comer, de ler um texto, de olhar o mundo. É uma atitude que se aperfeiçoa no contato com a arte. Cultura não é aquilo que entra pelos olhos, é o que modifica seu olhar" 


sábio... José Paulo Paes