quarta-feira, 15 de abril de 2009

Cada um é muita gente

Com certeza a frase do poeta será eternizada, mas como numa sina profética, seu significado se perderá no tempo.
Ser muita gente hoje em dia é estar sujeito às vontades do outro, dos outros! É viver a liberdade mais ilusória do universo, onde não somos células singulares e sim, bolhas tão impressionantemente belas quanto frágeis.
Para ilustrar melhor o que digo, viajo um pouco pra dentro de mim.

Desde criança, gostei de escrever, fosse poesia ou as didáticas dissertações.
Encontrava num papel e lápis, acalento pra minha alma, como numa amizade sincera e tantas outras formas de vida.
Cheguei até ganhar prêmio de poesia, por sorte, talento ou intervenção divina, não sei rs... só sei que fui crescendo e me deparando com um mundo diferente do costumeiro. Um mundo que exigia, negava e permitia ao mesmo tempo, como num jogo, onde quem sempre ganha é perdedor.
Passei anos da minha vida sem terminar um texto de acordo com a intenção inicial. É como se todos os livros que eu li, todas as conversas que tive, todas as sensações que passaram por mim estivessem guardadas num baú, como coisas antigas que não se usam mais.
Nesse meio tempo, fiz uma faculdade da moda, vesti uma roupa da moda, usei uma gíria da moda. Todas as modas passaram e eu fiquei!
Às custas de muito esforço eu tento me livrar deste pluralismo viciante para me reconectar com a solidão do bem, chamada: eu.
O poeta se foi e com ele toda poesia.
Vá com Deus, enquanto o diabo fica com a gente aqui na terra.


Um comentário:

Mariana Hui disse...

Vc deveria escrever com mais frequencia =)